sábado, 18 de fevereiro de 2012

Dave Phillips: trailler do documentário

Quando o noisêro suíço Dave Phillips veio ao Brasil em outubro do ano passado, para uma tour insana de mais de dez dias, um pessoal acompanhou todos os seus passos para fazer um documentário. O filme ainda não está pronto, mas já saiu um trailler - que por sinal está muito crasse, olha só:

recorte dp from A! on Vimeo.



E a quem interessar possa, eu também aproveitei a vinda do Phillips pra conversar sobre barulho e ativismo. Para ler a entrevista, clique aqui.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Mês John Zorn: Masada ao vivo

Como muitos já devem saber, no dia 17 de março John Zorn vem dar um alô aqui em São Paulo com o Masada, grupo que faz música inspirada na tradição judaica. Como o cara é uma verdadeira máquina de compor/tocar/produzir/gravar/fazer shows, vou passar esse mês todo postando músicas e vídeos do/ sobre o moço.

Para começar, um show completo do Masada - na real, a banda tem algumas formações diferentes e eu não sei qual delas vem dar as caras no Brasil, mas já dá pra ter um gostinho do clima Hava Naguila (sem Hava Naguila) do negócio:

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Precisamos falar sobre o Jonny Greenwood

Hoje assisti ao filme "Precisamos falar sobre o Kevin", de Lynne Ramsay, e posso dizer que foi uma das coisas mais perturbadoras que já vi numa telona. Mas não estou aqui para falar do longa em geral (afinal, isso aqui não é blog de cinema), e sim da trilha sonora, que também contribui muito para construir o efeito de bad vibe elevada à centésima potência.

O filme utiliza canções dos anos 60, como Everyday e In my room, e blues/coutries antigões, cujo ar inocente ao mesmo tempo contrasta e alimenta as imagens de pesadelo que vão se sucedendo na tela. E também há a trilha sonora original, que funciona como tradução sonora do estado de espírito da mãe interpretada (magistralmente) por Tilda Swinton, desesperado porém contido, resignado. Quando cheguei em casa e fui pesquisar mais sobre o filme, descobri que quem compôs a trilha original foi meu queridíssimo Jonny Greenwood, guitarrista do Radiohead.

Deixe aqui dois vídeos, um com a múisca dos créditos e outro com os sete minutos iniciais de "Precisamos falar sobre o Kevin" - neste dá para perceber bem como a música de Greenwood ajuda a constuir a sensação claustrofóbica, de horror, do filme:



domingo, 22 de janeiro de 2012

David Torn - Sesc Belenzinho


"Tocou com Lou Reed" e "improvisação livre": foram essas duas informações que me fizeram ir ao show de David Torn, que rolou hoje no Sesc Belenzinho - a boiada de pagar um quarto do valor do ingresso com a carteirinha de comerciário também pesou, devo assumir. Mas o que importa é que o show muito, mas muito mais do que eu esperava.

Torn se apresentou acompanhado pelo saxofonista Tim Berne e pelo baterista Ches Smith (que, aliás, toca com a Mary Halvorson). O que mais me chamou a atenção foi a dinâmica dos três: Torn praticamente só trabalhando texturas por meio de efeitos e distorções e criando assim uma "cama" para o diálogo entre o sax (prolífico) e a bateria (ultra-prolífica). Às vezes o guitarrista parecia até meio absorto em uma viagem particular, o que criou um efeito interessante na música: os outros dois, que por um lado estavam mais em evidência, mais na posição de solista, por outro lado seguiam as direções sugeridas pela paisagem de fundo criada por Torn. E na hora em que este partiu para um solo torrencial, o efeito foi de clímax.

Meu único senão foi quanto ao baterista. O cara toca muito, tem uma complexidade rítmica impressionante, mas parecia ignorar a importância das pausas, do silêncio (talvez porque quisesse mostrar serviço e provar que estava à altura dos outros dois, bem mais velhos e experientes). Houve um momento, por exemplo, em que a guitarra e o sax entraram em um diálogo super interessante e delicado, que acabou um pouco desfigurado pela insistência de Smith em batucar a caixa. Mas mesmo os excessos do baterista não chegaram a prejudicar a apresentação.

O engraçado é que eu estava lendo uns textos sobre improvisação livre antes de ir ao show e em um deles o autor, Frederic Rzewski, colca que um aspecto importante da improvisação é a autonomia do momento: "o universo da improvisação está sempre sendo criado; ou melhor, a cada momento um novo universo é criado" - e este universo pode ser uma continuidade do anterior ou não ter nada a ver com ele. Com isso, a música improvisada é como a vida real, em que a maioria das coisas acontece sem ter nenhum motivo, simplesmente acontece.

E foi justamente isso o que eu ouvi no show de David Torn: algumas ideias colocadas por um dos instrumentistas eram desenvolvidas, outras eram abandonadas, outras sofriam transformações em decorrência das ideias propostas pelos outros músicos. Mas nenhuma ideia era mais importante do que outra, todas tinham sua beleza. E nenhuma delas precisava de um ponto de partida ou de um ponto de chegada para justificar sua existência. Elas existiram. E ponto.


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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Phil Minton & Han Bennink

Em dezembro de 2010, tive a oportunidade fodástica de entrevistar Han Bennink e Phil Minton, duas lendas da improvisação livre, para a +Soma (se quiser conferir, só clicar aqui).

Na ocasião, o Fernando Stutz fez um vídeo tanto da entrevista quanto do show deles no CCSP, que depois foram editados e deram origem a esse registro lindo:

+SOMA::OnProgressSeries::Han&Phil from kultur studio on Vimeo.

domingo, 15 de janeiro de 2012

MuCoMuFo 4: Mary Halvorson

Não se deixe enganar pela carinha de geek fofa da Mary Halvorson: essa guitarrista não veio ao mundo pra fazer coraçãozinho com a mão. Toca com o Trevor Dunn no Trio-Convulsant, tem seus próprios grupos e aqui aparece acompanhando o lendário saxofonista de free jazz Joe McPhee. Destaque para o caráter percussivo da guitarra em alguns momentos, para o modo como ela brinca alucinadamente com a afinação do instrumento e para o diálogo com o sax. Fodona!



E falando em MuCoMuFo, a Matana Roberts disponibilizou em streaming o áudio de um show em que toca a segunda parte da saga Coin Coin (o show foi gravado em 2010, antes do lançamento em disco da primeira parte). E, ao fim da apresentação, ela diz que a história vai ter mais uns seis capítulos - ou seja, vamos ouvir Coin Coin até 2039, benzadeus!


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sábado, 14 de janeiro de 2012

Equação simples

Rock progressivo - (cafonice + megalomania) + barulho = This Heat



Aproveitando o post, queria indicar dois blogs bem legais que conheci nesta semana. Um é o Barulho Horroroso, que não tem muito texto, mas é um lugar legal para pesquisar música torta, de free jazz a industrial (com links pra baixar os discos e tal). O outro é o Heavy Metal Be-Bop, de um jornalista americano que está investigando a pequena porém rica interseção jazz/metal - este último, aliás, foi uma sugestão passada pelo Bernardo nos comentários do post sobre a Matana Roberts. Achei tão legal que resolvi compartilhar com todos os 5 leitores do blog!


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