terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Retrô 2012: músicas



Eu ia fazer aqui uma compilação de músicas favoritas de 2012, mas aí fui chamada pra criar uma lista pra +Soma e bom... quem quiser conferir um cadinho de coisa errada feita no ano, só clicar aqui.



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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Retrô 2012: shows

Fui a muitos shows em 2012 e posso dizer que vi vários ótimos, alguns muito bons, um ou outro um pouco decepcionante e nenhum que me deu vontade de rasgar o ingresso. Destaco aqui os quatro que achei mais impactantes:

Masada
Quando soube que o John Zorn vinha pro Brasil com o Masada, fiquei um tanto frustrada - afinal, o projeto de música judaica moderna é o que há de menos torto na longa lista de bandas e projetos tortos de Zorn. Mas, cusparada e rabugice à parte, o show no Cine Joia foi perfeito, uma mistura na medida de fritação experimental e melodias pra cantar, dançar, assoviar.



Glenn Branca
Apesar dos discos da Glenn Branca Ensemble serem assombrosos, fica claro que as gravações não são o suporte ideal para a música de Branca, já que ele trabalha muito com fenômenos acústicos, sons que não estão na partitura, mas que são gerados a partir da interação entre os instrumentos - e isso é muito difícil de registrar em disco. No teatro do SESC Belenzinho,  ouvi gritos, muitos gritos, saindo dos amplificadores. Fora o impacto físico do som no talo e a performance à lá Elvis desconjuntado do mr. Branca.


Urs Leimgruber, Roger Turner e Coletivo Abaetetuba
Um exercício radical de improvisação e exploração das possibilidades apresentadas por instrumentos e não-instrumentos. Dediquei um post longo do blog a esse show.


Orquestra Alfabeto
A pessoa que vi mais vezes num palco em 2012 foi o Carlos Issa: três shows do Objeto Amarelo, um do Afasia e um da Orquestra Alfabeto. Este último, na Galeria Logo, foi do tipo de experiência sonora que me dá mais prazer: aquela em que é preciso se deixar engolfar por uma massa de ruídos, e lá de dentro perceber suas nuances, suas transformações/permanências, sua beleza distorcida.



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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Retrô 2012: entrevistas

Que ano bom! Veteranos lançando discos incríveis, gente nova aparecendo, shows foda rolando em São Paulo... por isso inicio hoje uma pequena série de posts sobre coisas legais que rolaram em 2012. Neste primeiro, deixo os links para as poucas e boas entrevistas que fiz para a Soma ao longo do ano. Tive conversas gostosas com Secret Chiefs 3, Stephen O'Malley e Kevin Drumm, e realizei meu sonho molhado jornalístico que era entrevistar o Glenn Branca - uma experiência assustadora e inesquecível.

Só faltou a Matana Roberts (não deu pra entrevistá-la porque eu estava enrolada com uma quase mudança para Brasília) e o John Zorn, que se recusou a falar com jornalistas - mas parece que ano que vem ele está de volta e aí... quem sabe?

Então vamo lá:

Secret Chiefs 3 - clique aqui

















Stephen O'Malley - clique aqui


Glenn Branca - clique aqui

















Kevin Drumm - clique aqui













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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Inferno infantil




Na correria de lista de melhores discos de 2012, acabei finalmente ouvindo o álbum Sexually Reactive Child, do VICTIM!, projeto-solo do Cadu Tenório (Sobre a Máquina). Várias vezes eu conheço o trabalho de um artista – ou ouço um lançamento de alguém que já conheço – e fico com vontade de entrevistar a pessoa. Mas nesse caso, rolou algo até então inédito: senti que seria impossível fazer um texto sobre o disco sem antes pegar umas informações com o Cadu.

Pelo nome do projeto, do disco e das faixas (Trauma #1, Trauma #2 etc) e também pela capa belamente assombrosa (obra do artista Thiago Modesto), já fica bem claro que o disco trata de um tema especialmente espinhoso – e a questão que vem logo à mente é: mas essa desgraceira toda é autobiográfica?
E foi justamente essa a primeira pergunta que eu fiz para o Cadu em um bate-papo via Facebook na noite de ontem (jornalistões de plantão: deixo aqui claro que não se tratou de uma entrevista, apenas uma coleta de informações, ok?). Eu esperava duas respostas:

 - Não, é tudo mentirinha (confesso que estava desejando ler isso)
 - É autobiográfico, sim. Utilizei a música como ferramenta para lidar com esses traumas

Mas o que veio como resposta quase me fez cair da cadeira – e me fez multiplicar por dez a admiração que eu já tinha pelo trabalho do disco. Reproduzo aqui o que ele explicou: “na verdade o ponto de partida foi o som. Mas pra chegar no que eu queria em termos de som, eu precisei lidar com um tema que fosse forte pra mim de verdade”.

Ou seja, em vez de usar a arte para resolver uma questão pessoal, ele utilizou memórias nada felizes para atingir um objetivo artístico. “eu sempre quis lidar com esses fantasmas da forma mais saturada possível em termos de som, alcançar algo violento, de verdade, pesado mesmo”, completou.  

Outra coisa que já tinha me chamado a atenção durante a audição de Sexually Reactive Child e que se acentuou depois da conversa com ele é a grande variedade de timbres do disco – quem acompanha o Destruindo Pianos sabe que eu piro nisso. Logo dá pra sacar que é um trabalho elaborado e não algo feito em uma sentada na frente do laptop. Cadu trabalha com a ideia de paisagem sonora da música concreta e muitos dos sons presentes no álbum foram captados na casa onde vive: portas, gavetas, basculante abrindo e fechando, secador de cabelo, maçanetas, torneiras frouxas, porta de correr do box – alguns desses objetos estavam presentes no cenário em que os traumas ocorreram. Cadu também criou loops rítmicos a partir de sons captados de superfícies e do chão: “é uma das coisas com a qual mais experimento, microfones, microfonias controladas, captação de contato, loops ritmicos gerados a partir disso”.
Para completar, ele usou violino, flauta, sintetizadores e pedais. O resultado é um disco extremamente perturbador e claustrofóbico, carregado daquela bad vibe em estado bruto à lá Throbbing Gristle (uma das maiores influências musicais de Cadu). Em Trauma #3, fiquei com os pelos do braço eriçado e quase comecei a chorar enquanto a voz desesperada berra “You can’t touch me like that!”. Ao longo das faixas, descortinam-se cenas de tortura, pornografia hardcore e angústia insuportável. Um trabalho artístico incrível, mas que deixa o ouvinte com a ideia de que talvez não seja tão mau assim o mundo acabar no próximo 21 de dezembro.
Ouça por sua conta e risco aqui.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Ain't nothing light about this, Melvins!



Quem acompanha o Melvins sabe que em junho o grupo lançou o disco Freak Puke sob a alcunha Melvins Lite - que consiste em Buzzo na guitarra e vocal, Dale Crover na bateria e Trevor Dunn no baixo acústico - e que em setembro eles saíram em uma turnê insana pelos 50 estados dos EUA + Washington DC em 51 dias.

O show em Baltimore foi registrado por uma boa alma munida de uma boa câmera e reforça o que todos que ouviram Freak Puke já tinham constatado: "Ain't nothing light about this, Melvins!"

Pirai-vos:














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domingo, 11 de novembro de 2012

Ches Smith no Brasil (sim, de novo!)

Eis que o baterista Ches Smith (sobre o qual já falei um tanto neste post) está prestes a fazer seu terceiro pit stop no SESC Belenzinho. Na primeira vez, ele tocou ao lado de David Torn e Tim Berne, na segunda, com o grupo Secret Chiefs 3, e agora apresenta seu trabalho solo Congs for Brums - que também fará shows em Araraquara e no Rio.

Se só de juntar as palavras" bateria" e "solo" já pintou um frio na espinha, pode ficar calmo. No Congs for Brums, Ches também usa vibrafone e uns apetrechos eletrônicos, então o resultado final tem a ver  com música e não com "olha só minha habilidade, parece que eu tenho oito braços!":



Serviço:
23/11, 20h: SESC Araraquara, entrada grátis
24/11, 21h: SESC Belenzinho, ingressos de R$ 6 a R$ 24
25/11, 20h: Audio Rebel (Rio de Janeiro), ingresso R$ 30



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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Abram caminho!


 Nos último tempos, venho prestando pouquíssima atenção à canção, especialmente à canção brasileira. Os motivos para o desinteresse incluem falta de tempo, preguiça e a impressão de que os alardeados novos cancionistas tendem a chover no molhado. Por isso, se tiver que escolher entre uma faixa instrumental freak de 50 minutos e um disco de canções da mesma duração, vou direto à primeira opção. A não ser que a segunda alternativa seja o Metá Metá.

Grupo paulistano formado pelo violonista Kiko Dinucci, pelo saxofonista Thiago França e pela cantora Juçara Marçal, lançou seu debut fonográfico no ano passdo (quem quiser ouvir, recomendo baixar o app Bagagem, que traz o disco com encarte e vídeos).

A matéria-prima principal do trio é a tradição afro-brasileira e também dá para notar uma influência bem forte da Vanguarda Paulista. No disco de estreia, as canções são acústicas e, em sua maioria, primam pela delicadeza e pelos arranjos econômicos - com exceção de Obá Iná, que é onde a coisa fica BEM QUENTE. Mas, em geral, é um trabalho bonito e que eu admiro muito, mas que não chega a dar aquele nó nas minhas vísceras e sobre o qual você provavelmente não leria aqui no blog.

Até que, há alguns meses, pintou o vídeo ao vivo de uma música nova do grupo, que sairia no segundo álbum, batizado de MetaL MetaL - e foi aí que a coisa começou a enroscar daquele jeito que eu adoro:


Metá Metá: LAROIÊ EXU - ao vivo no ECLC from Olho on Vimeo.

Eis que ontem o Metá Metá soltou no SoundCloud uma faixa desse novo trampo e... bom, OUÇAM:

Oya - MetaL MetaL by Metá Metá
 
O que mais me chamou a atenção foi a habillidade em intercalar o fino trato do álbum anterior (que voz bonita e sem floreios tem a Juçara Marçal, meu deus!) e um peso mezzo rock barulhento mezzo free jazz. E não falo somente da ideia de misturar as duas coisas e sim da passagem de um extremo para outro, feita como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Já ouvi essa música umas cinco vezes hoje e em todas elas quase tive um orgasmo na parte em que a guitarra (a eletricidade e a distorção são novidades no som dos caras, aliás) e o sax fazem o inferno enquanto Juçara entoa o refrão repetidas vezes, ali pelos 3 minutos e meio. Se algumas músicas perdem o impacto após algumas audições, esta parece ficar cada vez melhor - e resistir ao desgaste da repetição não é tarefa fácil, covenhamos.

Agora resta esperar pelo disco completo.

ÃPDÊITI dia 7 de novembro: O álbum já saiu e está disponível pra download em 320k no site do Kiko Dinucci.



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